CUIDADOS COM A ALIMENTAÇÃO DO SEU GATO

 

Contrariamente a certas ideias, o gato não possui uma necessidade biológica de “variedade” alimentar. Estes animais têm um paladar até certo ponto “pobre”, procedendo à selecção dos alimentos essencialmente graças ao seu olfacto muito desenvolvido. Assim, determinados alimentos cujo rótulo destaca “com borrego” ou com “frango” podem satisfazer o dono mas muitas vezes não cobrem as verdadeiras necessidades nutricionais do gato.

Os nutricionistas/médicos veterinários estudam as possiveis necessidades específicas das várias etapas da vida do seu gato (lactação, gestação, crescimento, manutenção, envelhecimento, esterilização…) e procuram seleccionar uma alimentação que cubra todas as necessidades em termos de nutrientes, digestibilidade, performance nutricional e prevenção de determinadas patologias.

Os Diferentes Tipos de Alimentação:

Preparações caseiras

Trata-se de uma refeição preparada por si com base em ingredientes tais como, arroz, carne e legumes. Se o tempo de preparação é frequentemente recompensado pelo reforço da ligação afectiva, tem como inconvenientes o custo elevado e, principalmente, a dificuldade em conseguir uma dieta equilibrada que contenha as proporções correctas de proteínas, lípidos, cálcio, fósforo, fibras, vitaminas e oligoelementos.

Alimentos industriais

A principal vantagem destes alimentos é o facto de fornecerem ao seu gatinho todos os elementos indispensáveis a um desenvolvimento harmonioso e a um crescimento regular. São elaborados cuidadosamente, utilizam os mesmos ingredientes e obedecem às mesmas regras sanitárias que a alimentação humana. O seu custo é bastante inferior ao das preparações caseiras e não exigem qualquer tipo de preparação. Podem ser húmidos ou secos.

Alimentos húmidos (latas ou saquetas)

Contêm em média 80% de humidade. Uma vez abertas as latas, o tempo de conservação destes alimentos é bastante reduzido e representam um custo anual superior ao dobro da alimentação seca.

Alimentos secos (croquetes)

Os alimentos secos contêm um teor em água inferior a 14% (geralmente 8 a 10%). São alimentos completos e equilibrados que fornecem todos os nutrientes indispensáveis ao seu animal: proteínas, lípidos, hidratos de carbono, minerais e vitaminas.

A qualidade das matérias-primas e o rigor do processo de fabrico permitem a comercialização de alimentos de grande digestibilidade e elevada precisão nutricional.

 

As Diferentes Fases da Vida do Gato

Gestação e lactação:

Na gata, a gestação tem uma duração média de 66 dias e a ninhada é geralmente constituída por 3 a 5 crias.

O consumo alimentar aumenta naturalmente durante a gestação.

Desde o início, dever-se-á fornecer um alimento rico em gorduras. Este, não deve ser ácido para não prejudicar o desenvolvimento do esqueleto dos fetos.

Durante as primeiras 8 semanas recomenda-se um aumento de 10% semanal da dose do alimento. No entanto, a gata não deverá engordar demasiado, circunstância que poderá dificultar o parto.

A lactação é também um período crucial em termos de necessidades energéticas: durante esta fase a gata vai produzir 1,5 a 2 vezes o seu próprio peso em leite, que nesta espécie animal é particularmente rico em gorduras e proteínas.

Os alimentos secos formulados para o crescimento dos gatinhos são uma excelente escolha para a gata em gestação e em lactação.

Do nascimento ao desmame:

Quando nasce, o gatinho possui um tubo digestivo adaptado à digestão do leite. O fornecimento de um leite de substituição ao gatinho recém-nascido é particularmente recomendado se os animais forem órfãos, em caso de ninhadas numerosas ou quando o leite materno é insuficiente.

Como os gatinhos muito jovens têm dificuldade em digerir o excesso de lactose (açucar do leite) , é necessário fornecer-lhes um leite com um teor reduzido em lactose e que, idealmente, seja o mais parecido com o leite da gata (peça aconselhamento junto do médico veterinário).

 

Do Desmame aos 4 meses:

A partir das 4-5 semanas de vida, o gatinho pode começar a comer uma alimentação sólida. A esta fase de transição da alimentação láctea para a alimentação sólida dá-se o nome de desmame.

Inicialmente, o alimento seco deverá ser apresentado sob a forma rehidratada com água tépida ou com leite de substituição para gatinhos. Posteriormente, a rehidratação deve ser gradualmente reduzida até fornecer ao animal apenas os alimentos secos.

 

Dos 4 aos 12 meses:

Com o aparecimento dos dentes definitivos, as proporções dos diferentes nutrientes essenciais ao crescimento do gatinho mantêm-se idênticos até ao animal completar um ano de idade. Apenas as quantidades diárias do alimento de crescimento vão diferir e aumentar até à fase adulta.

Gatos adultos:

À medida que vai evoluindo para a idade adulta, o gatinho vai adquirindo as características morfológicas e fisiológicas próprias da sua raça e do seu modo de vida. A alimentação deverá ter em consideração estas particularidades. Pode apartir desta fase da vida do seu cão, iniciar uma ração de manutenção.

Gato em plena forma física:

A alimentação do gato adulto em plena forma física deve ter uma densidade energética adaptada à manutenção do peso. Deve igualmente prevenir a ocorrência dos cálculos urinários mais frequentes nesta idade através do controlo da acidez da urina e favorecer a eliminação das bolas de pêlo que estão frequentemente na origem de vómitos e problemas digestivos.

Gato com tendência para a obesidade:

A esterilização e a falta de exercício podem conduzir a um aumento de peso no gato adulto. Um em cada três gatos evidencia excesso de peso e este excesso de peso pode revelar-se prejudicial para o bem-estar e saúde do seu animal.

Para prevenir o risco de obesidade é aconselhável escolher uma alimentação adequada, com um teor reduzido em matérias gordas e uma quantidade elevada de proteínas a fim de permitir a redução do peso do animal sem que perca massa muscular.

Higiene oral e sensibilidade digestiva:

As afecções bucodentárias, muito habituais nos gatos, constituem a causa mais frequente de mau hálito.

Um em cada cinco gatos sofre frequentemente de vómito. As principais causas incluem a excessiva velocidade de ingestão e a aglomeração de pêlos no tubo digestivo, consequência da higiene diária dos gatos.

Existem soluções nutricionais especializadas que promovem a saúde oral e limitam os riscos de vómito no gato.

Sensibilidade da pele e do pêlo:

A qualidade da pelagem constitui o primeiro sinal de saúde do gato. Qualquer situação de stress emocional ou alimentar pode perturbar a saúde da pele e a beleza da pelagem. Na maior parte dos casos, o pêlo torna-se baço e sem volume. É fundamental administrar ao animal um alimento rico em ácidos gordos específicos, os quais restituem o brilho da pelagem, devolvendo toda a beleza ao pêlo e a elasticidade à pele.

 

Sensibilidade digestiva:

Alguns gatos evidenciam uma intolerânciaa certos ingredientes alimentares (por exemplo, o amido). Esta sensibilidade digestiva vai originar perturbações intestinais que se manifestam em fezes moles ou diarreias. Alguns alimentos procuram dar resposta a essa intolerância digestiva através de uma formulação específica que elimina, tanto quanto possível, qualquer risco digestivo.

Gato de interior:

Alguns gatos não podem ou não sentem qualquer necessidade de sair do apartamento do dono. Em virtude de fazerem pouco exercício, estes felinos devem ter uma alimentação menos energética.

Gato de exterior:

Os gatos adultos com possibilidade de se exercitar no exterior devem ter uma alimentação mais rica em proteínas e em energia.

Gato adulto dos 10 aos 15 anos:

As necessidades dos gatos após os 10 anos vão-se modificando. A alimentação deve ter em consideração a sua maior sensibilidade aos cálculos de oxalato de cálcio e uma maior predisposição para problemas renais do que um gato jovem. Este facto justifica a razão pela qual tanto o teor em fósforo alimentar como o controlo do pH da urina (alcalinização) devem ser adaptados.

Nesta fase, é importante também que o alimento tenha na sua composição antioxidantes para lutar contra o envelhecimento celular, contribuindo para o aumento da esperança de vida do gato.

 

Gato adulto com mais de 15 anos (sénior):

Em média, os gatos vivem sensivelmente 15 anos. Contudo, alguns podem atingir ou mesmo ultrapassar os 20 anos de idade. Uma alimentação adaptada é indispensável para compensar a redução da capacidade digestiva, olfactiva e do paladar e uma maior dificuldade de mastigação dos alimentos.

Os gatos com idade superior a 15 anos são, actualmente, cada vez mais numerosos graças a um melhor acompanhamento médico e à evolução nutricional. A alimentação após os 15 anos deve ter em consideração o estado da dentição do animal, para que a refeição continue a ser um momento de prazer, e a perda gradual das suas defesas naturais, justificando assim o reforço do seu sistema imunitário. Apesar da actividade do gato diminuir à medida que ele envelhece, é importante preservar o funcionamento articular para facilitar a sua mobilidade.

 

 

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